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A LIBERDADE DE EXPRESSÃO DEVE SER IRRESTRITA? PDF Imprimir E-mail
Por Marcos de Moura Bittencourt e Azevedo   
30 de maio de 2008

 

 jornais.jpg              "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade"

 

A frase acima, atribuída a Joseph Goebbels, ilustra bem o poder devastador da informação e, especialmente, da sua manipulação por pessoas inescrupulosas. As incontáveis vítimas produzidas pelo nazismo (que a propaganda de Goebbels ajudou a contruir)  constituem a prova material de uma tese sórdida, mas verdadeira.

Na realidade, para manipular uma informação e produzir uma "falsa conclusão" nem é necessário mentir, basta apenas retirar uma "verdade" de seu contexto. Recordo-me de brilhante campanha publicitária feita para o jornal  "Folha de São Paulo" , veiculada há alguns anos com destaque na mídia televisiva, na qual uma imagem de retrato ia gradualmente se formando na tela, enquanto o locutor elencava uma série de "informações" (todas incompletas mas, em essência, verdadeiras) sobre o retratado, do tipo: "este homem".. acabou com uma inflação recorde em seu país... gerou milhares de empregos... resgatou o orgulho de uma nação...foi eleito com uma maioria esmagadora de votos...etc...Ao final do anúncio, a imagem completa de Hitler se revelava, assim como a sábia conclusão do anunciante, algo do tipo: uma grande mentira pode ser contada dizendo-se apenas a verdade; não basta informar, é preciso também situar a informação em seu contexto.

De fato, como mesmo reconhecia, implicitamente, aquela peça publicitária (endossada pelo seu anunciante, um dos órgãos de imprensa mais respeitados deste país), tal qual ocorre em toda atividade, existem bons e maus profissionais de imprensa. No entanto, efeito colateral do trauma produzido pela ditadura militar é a imagem, ou melhor, a falsa impressão de que todos os profissionais de imprensa são heróis, arautos em defesa da democracia, imagem que, por sua vez,  é alimentada pelo próprio meio jornalístico,  que raramente reconhece os seus próprios equívocos. (...)

 
EINSTEIN, TRUMAN E AS ESCOLHAS IMPOSSÍVEIS PDF Imprimir E-mail
Por Marcos de Moura Bittencourt e Azevedo   
17 de março de 2008
 

einstein-tongue.jpgHá escolhas na vida que relutamos em fazer, não porque podemos evitá-las, mas porque sabemos, desde logo, que as conseqüências serão doloridas, qualquer que seja o caminho escolhido (recordo-me de um filme já antigo, chamado "A escolha de Sofia", que ilustra com extrema dramaticidade esta espécie de dilema: escolher entre o que parece ruim e aquilo que é ainda pior).

Apesar de freqüentes em dramas privados, por vezes tais dilemas dizem respeito a questões públicas, implicando na criação de fatos que irão repercutir sobre uma coletividade ou, mesmo, sobre toda a humanidade. A história mostra que, em circunstâncias extraordinárias, a escolha de um único indivíduo pode alterar completamente o rumo dos acontecimentos, produzindo conseqüências que, de antemão, não se mostravam inteiramente previsíveis.

Harry S. Truman, Presidente americano ao final da 2ª. Guerra Mundial teve, literalmente, uma bomba dessas nas mãos, ao optar entre o prosseguimento de uma guerra sangrenta e custosa (sabe-se lá quantos soldados americanos ainda morreriam nas batalhas do Pacífico) e a solução rápida, representada pelo uso da bomba atômica, uma arma que produziria impacto devastador, não apenas sobre vidas humanas mas, principalmente, sobre o rumo subseqüente da história. Certa ou errada, justificável ou não, a opção de Truman não deve ter tirado muitos minutos de seu sono; afinal, naquele momento histórico (e do pensamento americano), centenas de milhares de vidas japonesas valiam muito pouco em cotejo com a vida de um único soldado americano. Truman agiu como a maioria dos homens públicos contemporâneos, para os quais Maquiavel já atingiu status de divindade; falta apenas emoldurar como oração aquilo que é atribuído ao pensador italiano, com uma pequena adaptação ao moderno pensamento político: "Meus fins devem ser atingidos por quaisquer meios."  (...)

 
A GRANDEZA DOS PEQUENOS DIREITOS PDF Imprimir E-mail
Por Marcos de Moura Bittencourt e Azevedo   
01 de março de 2008
 

caravela_tormenta.jpgIndiquei a amigos e quero rever, uma vez mais, um dos melhores filmes que assisti nos últimos anos, que trata do amor depois dos oitenta anos de idade e, no entanto, vai muito além. Elsa e Fred , entre risos e lágrimas, deixa uma lição universal: nunca é tarde para realizar algo, um sonho, um projeto, um romance, qualquer coisa que se deseje com paixão. Afinal, como já dizia Fernando Pessoa, viver não é preciso, pois a vida - condição biológica que compartilhamos com uma ameba - é muito mais; navegar é preciso, assim como seguir adiante, renovar-se, criar...

Quero me penitenciar, aqui, pelo bloqueio criativo de tempos recentes, em que deixei de alimentar este site com novos textos. Mea culpa, pois sucumbi às dificuldades e desanimei, passando a dedicar mais tempo a outros projetos pessoais, sem perceber que esta é minha forma de contribuir para uma sociedade melhor e, assim, continuar navegando...

Pois bem. Quando falo em pequenos direitos preciso, antes de mais nada, esclarecer que não existe tal coisa. Direitos são direitos, emanam da lei, direta ou indiretamente, e ponto. Claro, existem normas e normas, de fontes e conteúdos diferentes; há que se respeitar uma certa hierarquia existente entre elas, existem direitos disponíveis e indisponíveis, mas nada disso interessa ao presente artigo. Com o perdão dos puristas de plantão e da estrita técnica jurídica, quando uso tal expressão quero me referir àqueles direitos que, não importa a fonte ou importância da norma que lhes dá sustento (ou a classificação que lhes dão os juristas), são cotidianamente ignorados ou desprezados pelos cidadãos comuns, que frequentemente nem percebem estarem sendo prejudicados em seu patrimônio jurídico.

Sim, todos nós possuímos um patrimônio jurídico, mesmo que não percebamos sua existência; é como um espaço vital, uma roupa invisível que vestimos sempre que nos relacionamos, de qualquer forma, com o mundo ao nosso redor. Difícil é não invadir o espaço alheio e, mais difícil ainda, evitar que, em nossos relacionamentos cotidianos, este ou aquele pequeno direito seja prejudicado ou surrupiado pelos que nos circundam. Cabe aqui a analogia: o sujeito percebe facilmente se lhe roubam as calças mas talvez não perceba, em tempo hábil, o sumiço daquele pequeno e valioso anel recebido em herança. Ou seja, aquilo que é percebido como pequeno (ou não percebido, o que é pior) nem sempre o é, verdadeiramente, em graduação de relevância. Neste contexto, o pequeno pode ser grande, belo e, ainda, de fundamental importância.

(...)

 
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AMEAÇAS
 

Certa vez, no calor de uma tola discussão, um sujeito me mostrou uma arma de fogo e afirmou algo do tipo "eu sei onde você mora e posso voltar...". Pouca gente sabe, mas a simples ameaça de violência ("mal injusto e grave") pode caracterizar o crime previsto no Artigo 147 do Código Penal. A ameaça pode ocorrer não apenas com palavras, mas também com gestos. Na verdade, tais ameaças são comuns e, muitas vezes, levianas, realizadas no calor de uma discussão. No entanto, se você levar a sério a ameaça, ou seja, se de fato ficar temeroso de que ela venha a se cumprir, deve procurar auxílio das autoridades e produzir, desde logo, um Boletim de Ocorrência junto à Delegacia da Polícia Civil mais próxima do local. O crime se processa mediante representação do ofendido, pelo que, se quiser levar adiante, é conveniente procurar um advogado. Pois bem, o final da minha história é que, após conduzir o sujeito à Delegacia e identificá-lo, através do B.O., eu disse a ele: "Agora eu sei quem você é. Se eu cair da escada e morrer, você será o principal suspeito..."

 

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